quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"Companheiros de Infância"


Estava eu em meu lugarzinho no ônibus, em pé, pois não tive a paciência de esperar um ônibus vazio para ir sentada.
Em meio dos sacolejos e solavancos que toda boa lotação nos proporciona, eis que uma mulher atendeu o celular. Durante todo o trajeto diversos assuntos “rolaram” e por mais que eu tentasse não prestar atenção na conversa, juro que não dava. Acho que estava falando com uma amiga próxima, pois falou do final de semana que pelo que me pareceu passaram juntas, falou da filha e por ai foi.

-Então menina, não sei mais o que fazer, já passei de tudo.
-.... - Alguma coisa foi respondida do outro lado da linha, acredito que alguma solução ou possível solução. Deveria ser aquelas receitas mágicas da avó da minha avó, sabe.
-Já escrevi até bilhete para a “tia da escola”, mas não adianta. Eu limpo a cabeça dela todos os dias, quando a bendita volta da escola, já está ela com uma comunidade deles novamente.
-Blábláblá....

No momento em que me liguei que o papo era piolho, é incrível, mas minha cabeça começou a coçar instantaneamente (Psicológico). Só sei dizer que esse assunto se desenrolou por grande parte do trajeto, quando a mãe desesperada me solta a seguinte solução:

-Já sei! Vou mandar ela de capacete para a escola.

Não sei explicar ao certo no que eu achei graça, mas quando pequena fiz minha mãe passar por esse mesmo desespero. E quando a moça falou essa solução, minha mente “na hora” desenhou uma pobre menininha de um lado com um imenso capacete em sua cabeça e a mãe desesperada do outro lado feliz da vida achando que encontrou uma solução para “os piolhos”.


Por fim, desci do ônibus e a imagem da menina de capacete foi para casa comigo. E não vou negar que dei risada desse “causo”. Coitadinha das mães mantenedoras de cabelos compridos de filhas, mas basta digitar no Google uma palavra pertinente ao assunto que muitas receitar para o extermínio do piolho virão.
A Jaci, a moça que cuida lá de casa, passou uma que disse ser infalível. Pegar a Arruda ferver bastante e depois lavar o cabelo da criança com esse “chá” (esperem esfriar), ela acrescentou também que quando a filha dela pegou piolho ela chegou até a esfregar a arruda na cabeça da coitada, conclusão: RESOLVIDO, sem piolhos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"Foi na Copa de 2006"




Já faz um certo tempo que nos separamos. Tenho como marco de nossa “separação” a Copa de 2006. Meu aniversário de 16 anos foi comendo feijoada e assistindo ao jogo do Brasil.
Desde àquele dia muitas coisas mudaram em mim e na minha vida, acredito que na sua também. Tenho que dizer que os primeiros dias foram repletos de muitas lágrimas ao cair da noite.
Você ao Sul e eu a Leste, parece uma distância pequena, mas nós sabemos que não é. Com tudo nesses dois anos e pouco que já se passaram foram muitas conquistas e perdas, sonhos e pesadelos, sorrisos e lágrimas. Conquistas considerando sua rápida recuperação ou então a provação para nós mesmas de como somos fortes. Perdas pelos momentos em que não pude estar do seu lado e te ouvir desabafar ou então quando não pude chorar e me queixar de algo bobo para você. Sonhos são todos aqueles que conversávamos instantes antes de eu pegar no sono. Pesadelos, aqueles reais que pensávamos nós que nunca aconteceria conosco e muitos deles aconteceram. Sorrisos são todos aqueles que você dá quando vem me visitar ou então quando eu vou te visitar, costumo guardar um por um desde a nossa “separação”. Entre as lágrimas prefiro lembrar das de alegria e conquistas... as demais, façamos favor de esquecê-las nessa prosa.
Esse domingo o almoço foi em sua companhia, vimos algumas fotos e uma em especial na qual você está de rostinho colado comigo, ou eu com você. Você contou a história de quão difícil foi minha gestação e meu nascimento, detalhes singelos que massagearam meu ego. Só você mesmo.
Ontem pela tarde você me ligou no escritório e me pediu para que pegasse algumas informações para o seu artesanato. Por fim você terminou a conversa dizendo que me amava, que me amava muito. Isso de certa forma mexeu muito comigo, parecia até uma despedida, mas sei que não é porque senti uma grande paz dentro de mim.
Teve um dia que eu quis muito te ligar só para dizer que te amava, mas temi que você achasse que algo de ruim estava acontecendo comigo, então não o fiz para não te preocupar. Sei o quanto você sente a minha falta, pois afinal foram 15 anos sempre juntas, pois eu sofro toda a reação dessa falta, dessa saudade de Leste à Sul. Espero em breve não somente te encontrar, mas estar em definitivo com você ao meu lado. Aguardo todos os dias ansiosa pela sua volta e assim poderei te mostrar todas as imagens que registrei e enfim te mostrarei o livro que dediquei a você.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Começando pelo Inicio.

Quadro de Romero Brito.


Angelina Alcazar, 37 anos, pensa que pode e se faz de tonta. Vez por outra se perde dentro dela mesma. Gosta de atuar entre colheres de pau e caçarolas, mas não todo dia. Adora ouvir conversa alheia no ônibus, mas odeia sanduíche com picles. Possui uma estranha mania: ter fé na vida e acreditar que as pessoas não são tão más. Viciou-se cedo em coca-cola light. Nutre sonhos e ilusões secretas e bobas e prefere a doces de padaria nas sextas-feiras. Gostaria de se chamar Isabela e de ouvir apenas frases que realmente a fizesse refletir.