domingo, 6 de dezembro de 2009

Big Dreams and Little People


Ás vezes são lançadas palavras a nós que machucam, mas com o tempo descobrimos que as palavras não ditas também machucam e magoam.

Meus sonhos não são grande ao ponto de não poderem ser alcançados, mas a pessoa que eu gostaria que fizesse parte deles talvez seja.

Medo nós todos temos, mas é necessário arricar-se...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Num piscar de Olhos ^^

Adormeci, afinal estava exausta daquele dia com surpresas estressantes! grrr...
Quando parece que nada mais aconteceria, o inesperado! A sensação de se ter se perdido, desencontrado, mas ao mesmo tempo se descoberto. Sensação de controle ante a um total (e visível) descontrole.
Me perdi dentro de mim, me perdi no sonho da noite de 22 de setembro. E sair dali era quase impossível, improvável.
Tudo de repente se tornou mais autêntico, mais sincero, mais límpido... Mas lá não permaneci.
Fui tanta coisa, tomaram tantas decisões por mim que na verdade eram minhas.
Realizei tantos sonhos em questão de segundos - tudo seqüencialmente, numa fração de segundos suficiente pra se viver uma vida inteira.
Acordei... Pronta para o próximo piscar de olhos... Pronta para o próximo sonho, pronta para o próximo desafio.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Em prol da sociedade

A missão de escolher um curso universitário não é uma questão somente de escolha, como também de aptidão. Tem de se pensar nas oportunidades de empregos e cargos que essa profissão trará com a graduação.
Acredito que não só para mim que sou estudante de direito como para muitos bacharelados, um dos principais atrativos quanto a essa carreia são os campos de atuação, pois um bacharelado no curso de direito tem um extenso campo para desenvolver seus conhecimentos adquiridos ao longo deste.

É indubitável que a leitura diária, conhecimento geral, senso humanístico e político e conhecimento prévio se faz necessária a um optante dessa carreira. Tendo em vista que aparecerão casos dos mais distintos onde sem dúvida toda bagagem adquirida no decorrer de 5 (cinco) anos contanto as experiências de estágio se farão válidas.

A busca pela justiça impulsionou e ainda impulsiona grande parte desses advogados a continuar essa profissão ou graduação que não é uma tarefa fácil, pois ora você está defendendo, ora está acusando. É a vida, a liberdade, o bem de alguém que está em discussão e nós advogados é que temos de defender o interesse daquele que nos contratam. É essa surpresa misturada com adrenalina conquistando a confiança e resultando em justiça, que faz com que gostemos cada dia mais do que nos tornamos.



"Escrevo para chegar a lugar nenhum, logo escreverei sempre....
a diferença é que escrevo para mim...sem compromisso".

terça-feira, 25 de agosto de 2009


"Nem sempre sou igual no que digo, penso e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol...constate e viva cada vivida nova cor.
De que quando uma nuvem passa.
Ou quando entra a noite.
As flores são cor de sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores... como as mesmas cores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu,
assento sobre os mesmos pés, mesmo corpo, mesmo EU"

Baseado em :Alberto Caeiro

Fato é que junto de você aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha e não se arrepender.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Overweight



Linhas tortas, rabiscos milhares... me atento a fazer planos e temo. Escuto que darei a volta por cima, não consigo ver onde é o começo dessa roda gigante...

A solução poderia estar em uma única atitude, até duas...uma seguida doutra...

A felicidade não pode estar atrelada a outrem, nem a coisas materiais...Felicidade por si só, por opção assim é que tem que ser.

Sem dúvida sou feliz, ora mais, ora menos...

Uma forte pressão domina o meu peito, como se uma explosão estivesse prestes a ocorrer...

Sinto como se estivesse carregando um elefante, sem nunca nem ao menos ter cometido tal feitio.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sentido...


Na busca de um sentido, escrevo sem muita pretensão de encontrar algo.

Escrevo para tentar entender, aquilo que em mim é ruptura- palavras em desatino procuram destino dentro de mim, e eu gosto de flanar nelas, para então me perder; ou para então me encontrar, ainda que por poucas linhas. Ainda que, logo em seguida, eu me perca: ou ainda que, na linha seguinte o horror novamente se inscreva.

Questionamentos que perturbam e as respostas teimam em não aparecem. Não posso decifrá-las, nem os sinais fazem sentido mais. Horas, minutos, segundos, instantes... Nada é capaz de mostrar o vínculo.

Vínculo este, que antes do questionamento alheio, muito me assombra... E isso então só intensifica, dói e anseia.
Perco-me... E acabo sendo encontrada ou então eu mesma me encontro.
Na tentativa de dizer, a enunciação acontece e meu drama vira tragédia. A coragem me toma no meu romance particular e o lirismo fica maior e eu me encontro em definitivo... Eu VIVO.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Delicadamente... a mesma pessoa.


O mesmo sentimento que me angustia, talvez seja o mesmo que me faz te amar.
Cada instante ao seu lado é a certeza de que virá o abandono. E mais uma vez virá aquele mesmo sentimento que me angustia e que talvez também seja o mesmo que me faz amar você.
Pouso em desatino, constatando que o meu eu anseia é não sermos mais dencontros.
Entre a embriaguez de um vinho dividido, te digo coisas absurdas e únicas.
Deito do seu lado numa rede e sonho com minha imagem no seu futuro, mesmo sabendo que talvez eu não esteja lá.
Você ignora o improvável e fala da casa que teremos e a descreve em detalhes, com jardins e sacadas para o vento.
Você faz tudo isso, enquanto passa a mão nos meus cabelos.
E assim, nunca perde de vista a música de sua existência.
E assim, me promete ter entendido que a viagem é o que conta.
E teremos sido felizes.
E nunca nos arrependeremos do que fomos e de tudo que vivemos.
E que, desse jeito, que você me guarde na memória, e não só nas fotos.
E que até o último dia de sua vida, você conte delicadamente a nossa história para poucos ouvintes, assim como eu pretendo contar como é viver e se apaixonar todos os dias mesmo que seja pela mesma pessoa.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Se fez um riso...


O riso é a última defesa frente ao horror de existir. Mistério que corrói a opacidade dos discursos.
Sorrir é a forma de chorar desajeitadamente para restaurar o brilho das coisas.

A gente sorri para aprender a ver nas sombras, nas frestas do imponderável. Sorrindo eu tento conviver com meu outro noturno, aquele da diferença que fala em mim na estranheza e não se faz entender...

Choro e não compreendo a música que ressoa dentro do meu peito. Só posso ir até onde já fui...

...Mas querendo ir além, a boca então silencia e sorri.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Assim...



Mesmo diante desta tristeza que me sufoca e me angustia, vou torcer para a alegria...

Mesmo com todas as razões para querer fugir, vou permanecer visível...

Mesmo querendo chorar todas as lágrimas que existem em mim, vou buscar os risos que ainda existem mesmo que no fundo do meu eu...

Hoje é o dia de celebrar o cotidiano, mesmo com a ausência.

Olhar para a grandeza dos dias, mesmo com o efêmero que nos ronda.

Agradecer pela magia e pelo encantamento do eterno encontro que deixará marcas para sempre.
Recordar do passado e entender a sabedoria do tempo, mas acreditar num futuro bonito, ainda com todo o absurdo que nos cerca e insiste.

Dia de intensificar a liberdade dos sonhos do presente e se alegrar com a originalidade do novo.

Hoje é um dia muito especial, porque na falta que me dói, há muito da vida que me espera.

Reinventemo-nos todos e viva a delicadeza, porque dessa vida só ficam as delicadezas!

sexta-feira, 6 de março de 2009

De mudanças somos feitos

A verdade é que eu sempre escrevi e falei assim, a Língua que falo não é Português e nem brasileiro. Na verdade vos digo em segredo, amplitude, é a mistura dos dois. Português Brasileiro ou se preferir Português do Brasil.

Quando era pequena muito escutei se falar que o trema já não era mais utilizado. Confesso que sempre o utilizei. De fato em 2009 me deparei com a nova regra ortográfica que dentre várias as mudanças lá consta a de que o trema não será mais utilizado – revoltante – não me incomodo em escrever linguiça sem o trema, parece loucura da minha parte...mas eu amo escrever CINQÜENTA com trema, não mais o poderei fazer.

Adequando-me as novas regras gramaticais resolvi atualizar o blog, vejam:




Segundo a nova regra ortográfica, some o acento circunflexo das palavras terminadas em êem, e ôo (ou ôos).

De fato muito já ouvimos falar que o Universo está em constante transformação.


Paro, penso, vegeto, existo, já não existo mais, descubro, procuro, encontro, perco mais uma vez, persisto, procuro de novo, acho, filosofo, devaneio...

Pergunto-me:

Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?Qual será a próxima idéia / ideia?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Mural"

Um simples mural, sim aquele...que coloquei no meu quarto.
Lá procurei colocar imagens, frases que gostaria de viver vendo e ouvindo dia após dia. Sem falar, que lá também coloquei de forma especial, alguns planos, desejos...

Você avistou o mural e não nos encontrou lá. Em primeiro plano tinha a planta de um apartamento, confesso que nada tinha de especial naquela planta.

A planta do apartamento se foi e no lugar dela ficou, um sorriso singelo e uma carinha serena. Uma imagem cheia de significados, dos quais não quero me esquecer um só detalhe com o decorrer dos anos.

A verdade é que meu mural está bem incompleto comparado aos meus "desejos", talvez seja um pouco de receio de expor aquilo que anseio realizar.

Concluo que você já faz parte dos meus recortes e colagens...de forma concreta te digo: da minha vida.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

- Capítulo 04 -

Pôr-do-sol ao vento, copyright by elisandro.borges.

Por mais corajosos que desejamos demonstrar ser, nem sempre conseguimos. Fazemos planos, mas nem sempre temos coragem de colocá-los em prática.

Escrever "Nas asas dum borboleta", sem dúvida foi uma realização pessoal muito grande. Muito me encantou o interesse dos meus amigos em ler essa humilde "obra".
Logo como o Blog tem o mesmo nome do livro, nada mais coerente do que colocar alguns "recortes" do mesmo.



Capítulo 04



Sou alguém que por acaso, encontrou pessoas capazes de transformar todos os dias em dias muito mais felizes.

Eu já tive dias maravilhosos, e já tive dias não tão bons, já desejei que o mundo acabasse, já desejei que ele desse muitas voltas, e até que o tempo voltasse atrás, já desejei também, que o tempo parasse, em certos instantes, para que eles fossem eternos e os sentimentos contidos neles também.

Já chorei por muitos motivos, e também porque simplesmente tive vontade. Da mesma maneira, que eu já ri muito, e pretendo continuar rindo e sorrindo por tudo, das coisas mais banais, às mais surpreendentes.

Já me fiz de forte, em momentos que me sentia a pessoa mais frágil do mundo, e já demonstrei fragilidade demais em momentos que precisava ser forte. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas não consegui, enquanto outras, que eu gostaria de lembrar, acabei esquecendo totalmente.

Aprendi muito de uns tempos pra cá, sobre amizade, e sua real importância, percebi que amigos não são infalíveis, e nem perfeitos, apenas por serem amigos, que não importa o quanto você os considere e os amem, eles podem vir a te magoar, e isso é totalmente normal.

Aprendi que para ser importante para alguém, você não precisa se fazer presente vinte e quatro horas por dia e nem concordar com tudo o que esse alguém faz ou diz, basta apenas estar “ao lado” dele entender e aceitar e ser aquela pessoa com quem se pode contar sempre que for necessário, no momento em que for necessário.

Aprendi a dar o devido valor àqueles que eu sei que estarão sempre “ao meu lado”.

Aprendi que conselhos, por mais bem intencionados que sejam, nem sempre são bem vindos. E que não se muda à vontade dos outros.

Aprendi que proteger demais as pessoas não as fará mais forte, pois elas precisam viver: errar e acertar, para que não cometam os mesmos erros novamente. Já briguei muito, com e sem motivos, com amigos, e por amigos, já briguei para tentar provar minha opinião, e apenas por estar irritada e querer descontar em alguém.

Já fui sincera demais, e já falei muitas coisas sem pensar, algumas das quais eu me arrependo, e outras das quais, se não fosse por um impulso, eu nunca teria dito, e aí sim, teria me arrependido.

Aprendi o quanto certas verdades doem, e fiquei triste, a princípio, com as pessoas que as disseram para mim, mas essas verdades me ajudaram a abrir os olhos, perceber meus erros, e a mudar certas atitudes. Já me estressei demais, por coisas sem importância, e já deixei de valorizar, as coisas e as pessoas mais importantes desse mundo.

Aprendi a pedir desculpas, e aprendi que às vezes, apenas desculpas não bastam. Já precisei de muito tempo, esforço e principalmente apoio, para mudar aspectos de minha própria personalidade. Já fiz muitas besteiras, já andei sem rumo na rua, sem pensar em nada, indo para onde meus pés me levassem, e descobri, que no final das contas, não importava o caminho que eu tomasse, eu sempre chegaria em casa.

Aprendi que não se devem criar expectativas antes de conhecer as pessoas, e aprendi que as aparências na maioria das vezes enganam.

Já fiz planos de fugir, para longe de tudo, mas nunca tive coragem de fazê-lo, e também sabia que dentro de pouco tempo, acabaria voltando para casa. Já tomei banho de chuva, já queimei o pé andando descalça, já cai de bicicleta, já usei aparelho, já cortei e pintei os cabelos das bonecas, já fiz judô, já fiz ginástica olímpica, já fiz ballet, já machuquei a boca e descobri que tenho muito sangue, já pensei que fosse morrer, já joguei futebol razoavelmente bem, já tive medo de dormir sozinha. Já fui a “princesinha” do papai, já fui a revoltada da casa.

Já fui arrogante e ignorante. Já fui louca, já fui boba, já fui criança, e às vezes ainda sou. Mas o mais importante: tudo o que eu aprendi, me tornou o que sou hoje. Alguém cheia de defeitos, mas com muita força de vontade para mudá-los, mas a lição mais importante de todas é que ainda há muito a aprender, e muito a mudar. E que nenhum texto é capaz de mostrar exatamente como as pessoas são.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como é que é mesmo a palavra!?




Poderia passar horas, dias, meses ou até mesmo anos tentando resumir alguns acontecimentos e pequenos detalhes de minha vida. É verdade que já tentei, mas são tantos os acontecimentos, as emoções, os devaneios...

Pensei em palavras e então escrevi um livro, pequeno...Mas eu tentei. Em fotos e vi que eram tantas que até me perdi.

Foi então que vivendo, aprendi que alguns acontecimentos podem parecer ficar no esquecimento. Cabe a mim, a você, a nós, a mim e você exercitarmos nossas lembranças para que elas sejam revividas. Algumas talvez mais que outras, simplesmente lembradas e não sofridas em dobro. Eu não vou negar que é difícil. Eu tentei, relutei, me gritei, às vezes me sorri, relembrei, percebi, constatei e revivi. É muito raro não sentir lá dentro a dor bater, mesmo que no decorrer da “estória” a moral tenha sido boa, uma verdadeira lição de vida.


O que sentimos de verdade é...
Não sei o que é, mas a verdade é que sentimos...
Ahhh sentimos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Para você que é feliz e faz feliz"

Moto Rockr_por Gle Gude.




Ele jogos, ela livros:



Ela: É e assim somos felizes...cada um com seu hobby.

Ele: ... isso mesmo – somos felizes – momentos maravilhosos passamos juntos – simplicidade, sinceridade, carinho, amizade...

Ela: ...Nossa história é muito linda...e nós continuamos fazendo dela linda e linda.


*******************************


VELHO TEMA

Vicente de Carvalho
(Fernando Pessoa)



...

O eterno sonho da alma desterrada,

Sonho que a traz ansiosa e embevecida,

É uma hora feliz, sempre adiada,

E que não chega nunca em toda a vida.


Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa que sonhamos

Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos,

E nunca a pomos onde nós estamos.

*******************************

Como se define, se mede a felicidade!? - Quilos, centímetros, metros, luas, primaveras, sorrisos, palavras, atitudes....

Pergunta que não quer calar e não cala... - A raça humana sempre irá procurar a felicidade naquilo que gostaria de ter e quando obtém...busca um novo desejo.

Ontem me sentia feliz, Hoje talvez nem tanto quanto Ontem, mas amanhã desejo que não só me sinta feliz, mas que tenha força e vontade para fazer de cada dia de 2009 um dia mais feliz...

Dias que EU me sinta feliz, que eu acredite dia após dia ter atingido o apogeu da minha felicidade.

Felicidade!!!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pasárgada...

Camera MotoRokr_por Gleice Gude.
TEXTO QUE FOI ESCRITO DIA 19/12/2008 E QUE JÁ DEVERIA ESTAR PUBLICADO.


Segue:


Não...Não,não e não.... Declaro definitivamente que meu coração não é maior que o mundo, também nem poderia. Sendo eu assim tão pequenina - 1,60 cm e 50Kgs - ele é bem menor. Nele quase que nem cabem as minhas dores, imagine só!.
Por isso gosto de escrever, por isso gosto de me expressar, por isso luto, por isso choro, por isso sofro, por isso sorrio e me grito. Hoje grito com bravura, pois enfim vou embora...
Não para Pasárgada, mas vou passar por lá, só para mandar um “Oizinho” para o meu amigo Rei.



De Drummond a Bandeira
Vou-me Embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção
Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90