sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pasárgada...

Camera MotoRokr_por Gleice Gude.
TEXTO QUE FOI ESCRITO DIA 19/12/2008 E QUE JÁ DEVERIA ESTAR PUBLICADO.


Segue:


Não...Não,não e não.... Declaro definitivamente que meu coração não é maior que o mundo, também nem poderia. Sendo eu assim tão pequenina - 1,60 cm e 50Kgs - ele é bem menor. Nele quase que nem cabem as minhas dores, imagine só!.
Por isso gosto de escrever, por isso gosto de me expressar, por isso luto, por isso choro, por isso sofro, por isso sorrio e me grito. Hoje grito com bravura, pois enfim vou embora...
Não para Pasárgada, mas vou passar por lá, só para mandar um “Oizinho” para o meu amigo Rei.



De Drummond a Bandeira
Vou-me Embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção
Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90